Domingo, 23 de Novembro de 2008

perdidos e achados

e eu me desboto no teu travesseiro
e ñ importa se ñ mantenho isso em segredo.
vc atrevessa o meu espelho
e eu fico impregnado de ti
e esqueço a mim mesmo...

perdidos e achados

...em meus contornos...
traceje-me em seus planos,
e em todos os seus panos
quero estampar

perdidos e achados

de bruços no horizonte
o horizonte horizontal

nas vértices de um sentimento que remanesce

(...)

amanhace no horizonte
e em todas as suas vértices
vértices de um véstigio
que me debruça.

de bruços no horizonte
o horizonte vertical

perdidos e achados

aquela fumaça azulada
azulada de sonho
sonhos de lua
tudo em camera lenta
na minha mente desbotada
que tenta, e tenta
mas nem lembra.
sonhos de lua
brilho de lua
na janela do quarto
no quarto do menino
o menino do vento
o vento do dia
no dia de luz
na luz do brilho
o brilho da lua
mas espera aí,
lua de dia?
é pq era dia de lua...

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

três segundos de luz

penso em você.
pensamento novo,
pensamento inaugurado,
ainda morno.
mas não quero me precipitar,
nem enfeitar palavras
e escrever prelúdios.
preciso acalmar a respiração,
escutar cada nota
dessa melodia invisivel.

vou guardar todos os pensamentos de você
só para mim.

talvez há de ser que nem seja
mas quero saborear isso se aproximando.

começo a reparar mais em meu reflexo.
cabelo virgem,
gengiva rosada,
olhos ouvintes.

uma canção me convida a avançar os dias
e eu peço para que ela me aguarde
pois eu já não ignoro os ponteiros.

menos rabiscos a cada linha.

sou os três segundos de luz desenhando o mar
dentro da caixinha escura.
sou agora.
sou palavra degustada.

1
2
3
...
sou!

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

de ser sombra e vento

no espaço entre os minutos,
caminho um pouco mais do meio dia.
a formiga percorre o cotovelo.
brinco de ser sombra e vento.
contorno a calmaria que toma conta
dos galhos e dos passos.
folha que cai.
a natureza fala e o concreto se conforma.
ouço o canto de paz das árvores
no espaço entre os minutos
sou folha que cai.

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

quando minha agenda perdeu-se

escrevo agora em uma folha de papel qualquer
e do verso posso sentir as cambalhotas de alguns palhaços.
o espetáculo no circo das palavras alheias começara
e das minhas, sinto que de mim já não fazem parte,
pairam sobre os cabelos de um outro corpo
que apoderar-se-à de minhas vestes.
dos cílios estranhos, minha perna será revertida
e lágrimas que desconheço o sabor, meu peito será inundado.
minha agenda perdeu-se de mim
e a mim encontrarei versado nos lábios de outrem.

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

quando fiquei te esperando sentado no banco da praça

a luz do poste apaga.
a luz do poste acende.
logo, ela apaga novamente.

a sombra da mangueira estampa o chão.

eles passam,
eles passam,
eles passam.

ele, apagado.

a luz do poste acende.

eles passam,
eles passam,
eles passam.

ele, aceso.

a sombra da caneta estampa o papel.

eles passam,
eles passam,
eles passam.

eu apago.

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

quando você atrasou a aula

no papel, a letra bem desenhada.
escôo pelos corredores da minha mente,
procuro palavras camufladas.
a janela do salão.
olhos de espectadores sobre o meu corpo.
vejo-me do alto do teto pintado.
já não sou singular.
as cadeiras se manifestam.
há tanto a se dizer.
a aula começa...

quando você atrasou o filme

senti vontade de escrever
sala fria, silenciosa.
poltronas vazias,
pacotes timidos.
ausência.
eu e mais dois desconhecidos.
minha cabeça volta a ti.
parece que isso sempre vai acontecer.
você é permanente.
veludo novo, xadrez.
a tela branca, calada.
o fundo preto, quieto.
a luz se apaga.
o filme começa...